Sábado, Novembro 18, 2006


teste






quebre o espelho: ou





Quarta-feira, Dezembro 29, 2004


Fragmentos: lavar um tanque de roupa...

"...dores velhas conhecidas nunca eram bem vindas. Nem dores novas eram, mas dor velha conhecida é engraçada, já virou amiga, parte da casa, puxa a cadeira e senta. Sem cerimônia. Por que dor alguma faz cerimônia, chega sem avisar, por que convite, dor alguma recebe. Talvez por isso dor seja tão folgada, ainda mais as antigas. E caminho de casa dor nunca esquece, infelizmente..."

"...quem chega primeiro ela não sabia. Se medo ou dor, ou se as duas pegavam carona na solidão. Mas solidão essa nunca desaparece, então não poderia dar carona as outras duas. Saiam todas do falso espaço de tempo, onde se parece ser feliz por alguns instantes e logo se volta a realidade..."






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Sexta-feira, Outubro 08, 2004


Fragmento: botão off

"...as conversas sempre eram silenciosas, pensamentos perguntando e respondendo. Ela falava com ela, sabendo de antemão as repostas. Vinham na ponta da língua, ou melhor, do pensamento, não parava quieta um minuto. Cérebro sempre em ebulição, de tal maneira que sabia assustar quem não a conhecia. Por vezes até ela se via assustada. Desligaria o pensamento se pudesse. Mas não, ele sempre trazia mais uma surpresa e mais uma pergunta. Quanto valia a pena ser assim? Buscar sempre o conhecimento, conhecer um pouco sobre cada coisa, se isso fazia com que ela não parasse por um minuto? Se via cansada, extremamente cansada. Cansada, irrequieta e sem paciência. Onde fica o botão de off?"






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Sexta-feira, Setembro 24, 2004


Fragmento: ela, sou eu

"Hoje ela sabe que olhares mudam de rumo e que lágrimas secam. E que seu rumo não se perdera por que ele só a ela pertencia. E dona de tantas certezas se via fortalecida. Redescobrira que sempre fora fortaleza e que de menina não tinha nada. E de terceira pessoa voltara a ser primeira. E ela, sou eu."






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Terça-feira, Setembro 21, 2004


Fragmento: ela

"...ela se perguntava por que algumas coisas perdem o rumo. A dor dela, intensa, que não podia ser dividida, nem comentada, que haveria de ser engolida e amordaçada. As entrelinhas lidas que machucavam mais que ditas olho no olho, e o pensamento que tanto teimava em machucar. Ela se perdera num conjunto de palavras não ditas e outras ditas, de orgulhos mesclados, de histórias sem pé nem cabeça, de dias vividos com intensidade de um relâmpago. Os olhos que ainda cismavam em olhar o horizonte, agora com um brilho de lágrimas. Diriam se soubessem: esqueça! ou: Não exponha sua dor! Mas como ela não ser ela mesma? Ser ela mesma talvez ainda lhe custasse muitos desacertos, mas ser ela mesma era real. E de certa forma, belo. Beleza dentro da limpidez de sentimentos, mesmo que mesclados a desencontros. Ela sempre pensava: ser quem é ainda é o que se tem de melhor a oferecer. Nunca um sorriso sem vontade, ou ser um estereotipo que depois se quebra com o tempo. E ser quem ela é ainda oferece muitos sonhos, basta quererem olha-los..."






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Quinta-feira, Setembro 16, 2004


Minhas letras
tristes
Minhas letras
sempre minhas
Letras
Sempre as letras
Palavras
Maldição?
Benção?
Letras apenas letras
Conjunto fonético
Explicação racional?
Para minhas letras nunca!
Minhas letras são minhas
sempre minhas
e somente minhas
E se te empresto à leitura
é por que vejo a mim.
Na tua leitura






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Terça-feira, Setembro 07, 2004


Fragmento: Palavras

"Palavras têm peso. Força. Se por vezes são mágicas, por vezes tem o poder da destruição. Conseguem mudar o rumo da história. Transformar. Talvez por isso eu as aprecie tanto. Mesmo sabendo que por vezes elas não transportam verdades.
O uso delas é um mistério. Mistério para quem ouve ou lê..."
(continua)






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"era uma mulher como tantas outras, de avesso e direito. Nem sempre se sabia qual era qual. Ora o avesso dormia, ora o direito acordava. Sinceridade absurdamente infantil que já lhe resultara na vida vários tropeços e também acertos. Porque nem sempre se é certo e nem sempre se é errado. Temia em sua alma os espelhos, talvez esses fossem sempre seus maiores medos. Espelhos não de cristal ou vidro, mas espelhos de almas. Almas que espelham pedaços de vidas, da sua vida, da dela, da de quem enxergar ainda. Por que espelhos refletem o hoje, o ontem, o que poderá ser e o que poderia ter sido."




A Botija da Bromélia
Blog da Kel
Intuição Feminina
Jack
Matusalém Matusca (8{>

O uso é permitido desde que citada a fonte e autoria.

Todas as poesias são de Simone Ruggi.

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